Novo Cangaço: um ano do terror, pânico e revolta em Santa Margarida

Há exatos 365 dias, a cidade de Santa Margarida, viveu um dos piores dias de sua história. Quatro homens fortemente armados, renderam o segurança e fizeram reféns para assaltar duas agencias bancárias; na ação, um vigilante e um policial militar foram mortos.

O fato acorreu na manhã do dia 10 de julho de 2017, quando quatro homens fortemente armados chegaram a Praça Celestino Pereira Lima, renderam o segurança do Siccob, que foi obrigado a levá-los até o cofre, de onde retiram mais de 90 mil reais, em seguida, foram até o Banco do Brasil, que fica no prédio ao lado, e com um refém, conseguiram passar pela porta giratória, mas antes de chegarem ao cofre, um dos bandidos, sem motivo algum, atirou no peito do segurança, que morreu minutos depois, no hospital da cidade.

Em seguida, sem levar nada da agência do BB, os bandidos fugiram em um veículo Fiat Toro, levando dois reféns na carroceria, mas no caminho dos bandidos, um PM acompanhava a ação, armado também com uma arma longa e quando viu que tinham refém, ficou em uma esquina e acabou sendo morto pelos criminosos com um tiro de espingarda calibre 12.

Após matar o militar, a quadrilha, que ainda comemorou o fato, fugiu sentido Córrego Bom Jardim, que dá acesso a BR 116, onde os reféns foram liberados na saída da cidade, sendo obrigados a pular do carro que estava em alta velocidade. Na mesma tarde, três dos quatro bandidos foram presos em uma pedreira.

Na praça onde ocorreu o assalto tem um hospital, uma creche, e uma escola, e estava lotada na hora do fato, devido ao pagamento dos aposentados e funcionários da Prefeitura da cidade.

A prisão dos acusados

Após o assalto, que terminou com a morte do vigilante Leonardo e do Cabo Marcos, uma verdadeira caça foi montada pelas Policias Civil, Militar e Rodoviária Federal na captura dos bandidos.

Com a ajuda de dois helicópteros, três elementos foram presos no início da tarde do mesmo dia, no meio de mata, no Córrego Bom Jardim, já na divisa com o município de São João do Manhuaçu; com eles, os policiais encontraram diversas armas, todas de grosso calibre, como metralhadora, pistolas e até uma espingarda calibre 12l, que foi a arma utilizada para assassinar o PM. Além do dinheiro roubado na agência do Siccob, toucas ninjas, roupas camufladas, que eles usariam no meio do mato para dificultar a localização, além de muita comida em lada, que iria ajudá-los a se manterem, uma vez que pretendiam ficar escondidos na mata, possivelmente por alguns dias, para despistar as autoridades.

O quatro elemento da quadrilha foi preso, somente no dia 15 de julho; ele ficou quase uma semana escondido no meio do mato, onde conseguiu sair e chegar até a BR 116, e caminhou até a casa de parentes no distrito de Departamento, em Orizânia. Ele foi encontrado, devido a denúncias anônimas repassadas a polícia sobre seu paradeiro.

Condenação:

No dia 16 de novembro, A 1ª Vara Cível, Criminal e da Infância e da Juventude da comarca de Abre Campo condenou Sirlande da Silva Ferreira, vulgo “sabonete”; Josimar Pereira Rodrigues, vulgo “salame”; Wesley Rosa Firmino, vulgo “Ley”; Daniel Rodrigues de Aguiar, vulgo “cavalo”; Ademar José Pedrosa, vulgo “Seu Zé”, “Ademar Cazel”, “Ademarzim” e “Sozé”; e  Marcos Henrique Fernandes Ribeiro, vulgo “Marquinho Curupira” por crimes contra o patrimônio, organização criminosa, crime de roubo qualificado, latrocínio (Banco do Brasil, Banco Sicoob) seguido de morte, posse ilegal de armas e crime de adulteração de sinal de veículo automotor.

Sirlande da Silva foi condenado a 63 anos, seis meses e 22 dias de reclusão, Josimar Pereira foi condenado a 68 anos e sete dias de reclusão e 58 dias-multa, Wesley Rosa Firmino foi condenado a em 49 anos, 6 meses e 15 dias de prisão e  Daniel Rodrigues foi condenado a 49 anos, 6 meses e 15 dias de reclusão por latrocínio (vítimas do banco do Brasil, Banco Sicoob, Globalseg, Polícia Militar), crime continuado, organização criminosa e adulteração de sinal identificador de veículo automotor. Ademar José Pedrosa e Marcos Henrique Fernandes Ribeiro foram condenados a quatro anos e seis meses de reclusão por organização criminosa, pena de prisão em regime semiaberto.

O juiz Bruno Miranda Camêlo entendeu que a materialidade dos delitos atribuídos aos acusados está demonstrada nos documentos juntados aos autos. Entre eles, auto de apreensão contendo diversos objetos encontrados no local da prisão em flagrante, como os R$ 91.400,00 em espécie, armas de fogo, munições e laudos extraídos de conversas em celulares.

Quanto à autoria, o magistrado assinalou que o conjunto probatório é inequívoco quanto a participação dos denunciados no crime apontado pelo MP, corroborados em confissões de Sirlande, Wesley e Daniel.

Para o juiz, está demonstrado que houve subtração consumada de bens pertencentes a dois patrimônios, banco SICOOB (dinheiro) e a empresa de segurança Globalseg  (pistola municiada que estava na posse do vigilante no interior da agência do SICOOB), resultando em lesão corporal a L.M.B. Na seqüência, depois de consumada a subtração e já do lado de fora da agência, foi empregada violência contra policiais militares para assegurar a detenção dos bens subtraídos, resultando na morte do policial militar Marcos.

 

 

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