Polícia Civil prende homem que se passava por Juiz

Um homem de 48 anos que se passaria por promotor e juiz para extorquir pessoas com falsas promessas de emprego e de soltura de detentos foi preso pela Polícia Civil, na tarde de quinta-feira (8), nas imediações do Fórum Benjamin Colucci, onde costumava agir, no Centro de Juiz de Fora. O delegado Luciano Vidal explicou que o suspeito foi capturado pela equipe da 1ª Delegacia, com mandado de prisão expedido, no último dia 2, pela Vara de Execuções para cumprimento de pena. O suposto estelionatário é morador da Zona Sul e, só nos últimos cinco anos, teria conseguido ludibriar, pelo menos 14 vítimas, conforme número de inquéritos e outros procedimentos instaurados pela Polícia Civil desde 2012.

“Ele é conhecido no meio policial há muito tempo e tem procedimentos de estelionato espalhados por várias delegacias. Ou seja, ele não tem uma área específica de atuação, age na cidade inteira. A própria folha dele de antecedentes tem 17 páginas. Em oito casos, ele já foi indiciado, fora os que estão em andamento sem conclusão”, disse o delegado. Um deles, já concluso com indiciamento em 2014, foi relativo a uma academia. “Ele deu o golpe falando que tinha contatos para inserir o estabelecimento na Lei Rouanet. Foi criativo, porque é uma lei de incentivo à cultura e à arte. Disse que tinha um contato e que iriam receber uma quantia do programa do Governo Federal, além de angariar pessoas para as atividades esportivas. Segundo as informações que tivemos, ele ainda deu aulas de taekwondo nessa academia, porque seria lutador de artes marciais, mas não sabemos se isso é verídico ou não.”

 

Ainda conforme o delegado, o suposto golpista já teria se passado até por médico, para ter credibilidade na venda de um apartamento, que não era dele. “Ele é polivalente nos golpes, apesar do carro-chefe dele ser esse de se passar por promotor de justiça e juiz. Geralmente, prometia emprego ou procurava famílias que tinham parentes presos, garantindo auxiliar na soltura. Falava que a Justiça estava com mutirão de desencarceramento e que aquela pessoa já estaria em condições de estar em liberdade. Ele cobrava uma quantia falando que seria das custas processuais. Muitas vezes, faz abordagens na porta do Fórum. Vê alguém chorando e se aproxima, angariando os ‘clientes’ ali.”
Dois casos ainda estão sendo investigados pelo delegado, nos quais o possível estelionatário teria usado o mesmo nome falso de “Doutor Sebastian”. Em uma das farsas, ele se passou por assessor de promotor em 2012 e causou prejuízo de quase R$ 5 mil a uma mulher, 34, alegando que ela precisava tirar carteira nacional de habilitação (CNH) para trabalhar com ele. “Ele dizia que tinha acesso ao Detran e que iria facilitar.” Segundo Vidal, outra vítima, 31, tem uma lanchonete no Ipiranga, Zona Sul, e teria sido abordada pelo homem no local, como promotor, no fim do ano passado, também com a falsa promessa de trabalho. Mas não teria chegado a entregar dinheiro a ele. “Muitas outras pessoas devem tê-lo conhecido, mas nem acreditam que caíram em um golpe”, observou o delegado, orientando outras possíveis vítimas a comparecerem à delegacia mais próxima. “Ele se passava por promotor ou juiz, mas nunca marcava encontros no Fórum”. alertou.

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