gilberto-silva-e-souza_318x480O clima foi tenso durante a audiência pública da Comissão de Direitos Humanos da Assembléia Legislativa de Minas Gerais realizada em São Francisco do Glória na terça-feira (9), quando foi mais uma vez discutida perante autoridades municipais e estaduais, além de policiais do Espírito Santo, os fatos e envolvimentos na morte do então prefeito Gilberto Silva e Souza, 44 anos, assassinado com quatro tiros a cabeça, em Piúma (ES), no dia 13 de Janeiro de 2008, quando estava com amigos em uma pizzaria e supostas ameaças de morte a vereadores do município.

A platéia, que lotou o local da reunião, ouviu autoridades do município, da Polícia Civil, dos advogados que atuam no processo e de um promotor do Ministério Público do Espírito Santo. Representando a ALMG, os deputados Durval Ângelo (PT), presidente da comissão, Sebastião Costa (PPS) e Braulio Braz (PTB). “Os três deputados aqui têm um lado: o da democracia”, enfatizou Durval.

o-prefeito-luciano-prestando-esclarecimento-na-audiencia_640x443O deputado Sebastião Costa, amigo do prefeito assassinado e de sua família, enfatizou que a solução do crime interessa a todos. “Queremos que se clareiem os fatos”, disse. Braulio Braz também afirmou sua indignação e seu apoio à população da cidade.

Também serão enviados pedidos ao Ministério da Justiça, ao Tribunal de Justiça e à Procuradoria-Geral de Justiça do Espírito Santo para agilizar o processo. Notas taquigráficas da reunião também serão enviadas a todos esses órgãos, à Câmara Municipal de São Francisco do Glória e aos advogados presentes.

o-publico-compareceu-para-saber-mais-sobre-o-andamento-do-inquerito_640x429Sem provas – As supostas ameaças não foram confirmadas por nenhum vereador presente à reunião. Um dos motivos seria o medo de represálias. O delegado de polícia de Carangola, Jorge Alexandrino Maximiano, afirmou que não recebeu nenhuma denúncia nesse sentido. “Meu compromisso é com a lei”, afirmou o delegado que começou a atuar na cidade e em Fervedouro em março de 2008.

O atual prefeito e pastor evangélico Luciano Dias Paes Neto (DEM) reafirmou sua inocência, assim como seu advogado, Roberto Gomes. O nome de Luciano consta no processo como um dos supostos mandantes do assassinato de Gilberto. Até o momento, o único denunciado pelo crime é o lavrador Adelair Siqueira da Silva, que teria matado o prefeito.

O processo relativo aos supostos mandantes do crime ainda não teve denúncia formal da justiça. “São várias conjecturas e nenhuma prova”, falou o advogado. “Tenho sofrido muito com tudo isso. Tenho uma vida aqui. Eles sabem que não tenho nada a ver com esse crime”, disse o prefeito.

 

Advogado afirma que fazendeiro autorizou quebra de sigilos

 

O advogado Guilherme Colen, que defende o fazendeiro Altomirando Viegas de Carvalho Neto, também suposto mandante, informou que levava consigo documentos em que seu cliente autorizava a quebra dos seus sigilos bancário e telefônico. “Ele é a pessoa mais interessada na elucidação do crime”, enfatizou.

O promotor do Ministério Público do Espírito Santo, Sérgio Alves Pereira, afirmou que a justiça capixaba está empenhada em resolver o caso. “As investigações estão em movimento.” Segundo ele, em entrevista à imprensa, o que é mais necessário agora é a contribuição da população, seja pelo disque-denúncia ou qualquer outra iniciativa que leve dados adicionais às autoridades.

Segundo o advogado da família da vítima, Reinaldo Magalhães, o juiz de Piúma não juntou aos autos do processo dados importantes, como o sigilo telefônico dos envolvidos. “Quatro promotores já passaram pelo processo. Não há interesse em apurar o caso. Nossos requerimentos à Polícia Judiciária foram todos indeferidos. Se não houver participação efetiva da comissão junto às autoridades do Espírito Santo, não teremos solução do crime”, afirmou.

 

Morte planejada

 

De acordo com o delegado que presidiu as investigações, Milton Sabino (ES), a morte teria sido planejada por um grupo político insatisfeito por não ter suas exigências atendidas pelo então prefeito. Em setembro de 2007, Gilberto teria escapado de um primeiro atentado em sua fazenda.

O delegado afirmou que, 15 dias após o assassinato, a polícia de Piúma localizou e prendeu o pistoleiro que teria matado o prefeito. O lavrador Adelair Siqueira da Silva, de 47 anos, foi detido em Água Doce do Norte, e teria se recusado a colaborar com a apuração. Ainda de acordo com o policial, os relatos dos depoentes se contradisseram, o que reforçou a hipótese de crime político.

A audiência contou com as presenças dos deputados Durval Ângelo (PT), presidente da comissão, Sebastião Costa (PPS) e Braulio Braz (PTB). Também participaram da reunião o advogado e presidente do PT Municipal de São Francisco do Glória, Sebastião Fava; o delegado Pedro Gonçalves Pereira Jahara; os vereadores Roney Martins Laviola e Guilherme Luiz Matta; o detetive de Muriaé Marcos Silva; e o delegado regional de Muriaé, Nelson Fialho, que após o debate disse que “o nosso interesse é esclarecer os fatos, fazer com que a justiça seja cumprida, prendendo todos os envolvidos. Nós estamos de portas abertas para apoiar a polícia do Espírito Santo, onde se deu o fato, para que tudo seja solucionado”.

 

 

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